CLARAH AVERBUCK
No fim da década passada, o mundo da literatura brasileira era bem
chato. Os grandes autores continuavam grandes, e os novos... Bem, os
novos nunca deixavam de ser novos. Seguindo o modelo do rock'n'roll, a
renovação veio da marginalidade.
A principal efervescência veio do Rio Grande do Sul. Um fanzine
distribuído pela internet começou a conquistar o público leitor e,
consequentemente, "exportou" seus autores para o mainstream. Saíram do
CardosOnline, o tal fanzine, Daniel Pellizzari, Daniel Galera e Clarah
Averbuck.
Clarah, nascida em Porto Alegre em 26 de maio de 1979, também escrevia
para revistas como Showbizz, Trip e TPM. Ela também teve um breve
experiência no cinema, interpretando uma prostituta no curta"Nocturnu", de Dennison Ramalho (mais tarde premiado em Gramado por
outro trabalho, "Amor Só de Mãe").
O mundo da literatura não estava preparado para Clarah Averbuck, mas
ela venceu na insistência e no talento. Deixou Porto Alegre para trás
e encarou São Paulo de frente. Nessa época o CardosOnline chegou ao
fim depois de 3 anos e ela criou o extinto blog Brazileira!Preta, onde
formou um exército de fiéis seguidores.
A dureza paulistana e a paixão pela literatura resultaram em "Máquina
de Pinball", lançado pela editora Conrad em 2002. O livro conta a
história de Camila, um alter-ego da autora, que persegue o amor sem
pausa para descanso. Ou melhor, com pequenas pausas apenas para o sexo
casual. Ah, e ela também escreve. E sofre. E bebe. E usa drogas. "A
auto-referência e a estética punk são as principais características,
em um mundo repleto de figuras como notívagos, outsiders e afins (dos
quais tais artistas fazem parte)", observou o jornal "Folha de S.
Paulo" na época do lançamento. A obra também ganhou destaque em outros
jornais, como "O Estado de S. Paulo", "Gazeta do Povo" e "Zero Hora",
além de inúmeras revistas e sites, da Set ao UOL. "Estar fodida é sair
no jornal e não possuir reais para comprá-lo", reclamava Clarah no
blog.
O ator e diretor Antonio Abujamra tem uma opinião semelhante. "Difícil
ver uma contemporaneidade mais poética em brasilidade", escreveu no
prefácio. "É um livro que os que sabem ver a coisas e os que não sabem
ver as coisas lerão como alimento indispensável para devorar seus
contentamentos." E foi pela adaptação de Abujamra e Alan Castelo que
Máquina chegou aos palcos cariocas. Na seqüência, Clarah recebeu uma
proposta do diretor de cinema Murilo Salles para a adaptação de sua
obra.
Logo depois do lançamento de Máquina de Pinball uma tríade de eventos
mudou a vida de Clarah Averbuck completamente: ela descobriu a casa
noturna roqueira Fun House. Junto com o lugar veio um dos sócios dele,
Marcelo, que rapidamente se tornou namorado dela. Para coroar tudo
isso, o casal teve a filha Catarina, em julho de 2003.
Também em 2003 a editora 7 Letras, percebendo o valor e potencial do
Brazileira!Preta, lançou "Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante", uma
reunião de textos do site (e outras coisinhas mais). Paralelamente,
Clarah foi publicada pela primeira vez no exterior, em uma coletânea
portuguesa de nome sutil: "Putas" e também integrou a coletânea "25
Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira".
Enquanto esperava a publicação de "Vida de Gato" (Editora Planeta),
uma espécie de continuação do primeiro livro, Clarah retomou uma
paixão antiga e formou o grupo Jazzie & os Vendidos, uma banda de rock
com um pé e meio no blues. Ela era a vocalista, Marcelo – seu
ex-marido - tocava guitarra e Jonas tocava sax. Além das canções
originais, eles costumavam mandar versões para clássicos (ou não) de
Ray Davies, Faith No More, Os Mutantes, Rolling Stones e até alguma
coisa da trilha de A Cor Púrpura. Apesar desse detalhe interessante,
Jazzie não fazia um bando de covers curiosas. A banda era coração e
instrumentos. Chegou ao fim em 2005. Mas Clarah está com novos
projetos e pretende manter esta chama acesa, afinal, sempre frisa que
a música é tão importante quando a literatura em sua vida, e não
apenas um hobby passageiro.
A adaptação cinematográfica de "Máquina de Pinball" já está pronta. O
projeto – intitulado "Nome Próprio" – foi selecionado entre outros 800
pelo Instituto Telemar e recebeu R$ 1 milhão. O filme será lançado no
início de 2008e recebeu os prêmios de melhor filme, melhor atriz (para
Leandra Leal) e melhor direção de arte (Pedro Paulo de Souza).
Clarah acaba de lançar "Nossa Senhora da Pequena Morte", uma obra bem
peculiar, assinada, numerada e limitada que vem dentro de um vinil
garimpado com textos e ilustrações integradas . As folhas vêm soltas.
Os vinis foram garimpados em sebos paulistanos e o livro foi todo
feito parceria com Eva Uviedo. Ela também se encheu dos blogs e foi
terminar seu novo romance, "Eu Quero Ser Eu", comtemplado pelo
Programa Petrobrás Cultural, a ser lançado pela Editora Cosac Naify.
Paulo Terrón
Fotos da exposição:
http://www.flickr.com/photos/theeaverbuck/sets/72157610284002031/
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